INFO/HISTORY



O Bairro Alto é um dos bairros históricos de Lisboa, com uma diversidade que o torna único.
De dia é uma aldeia onde todas as pessoas se conhecem, e à noite transforma-se num ambiente cosmopolita e boémio.
Construído em finais do século XVI, o Bairro Alto é um dos mais típicos da cidade, com as ruas estreitas e empedradas, com casas seculares e comércio tradicional, e onde se situaram quase todos os órgãos de imprensa escrita nacional. O bairro, um dos locais de referência cultural da capital, frequentado e habitado por jornalistas, escritores e estudantes, era também lugar de tascas, marinheiros, de má fama e de prostituição.
Desde os anos 80 tornou-se na zona mais conhecida da noite lisboeta, com inúmeros bares, restaurantes e casas de fado.
Actualmente, é um dos locais mais procurados quer para viver, quer para abrir um estabelecimento comercial. Existem cada vez mais lojas de moda, ateliers, galerias e espaços alternativos.

 Antes do bairro

Cartas de D. Manuel sec. XV - expressão de novas ideias para a cidade, eleminar os balcões que obstruiam as ruas, deixando somente a possibilidade da existência e construção de balcões com 2 palmos os quais deram origem às varandas de sacada.

Foi igualmente aconselhado o fim da construção em madeira remetendo para a construção em pedra e paredes direitas.

Existiu uma primeira intervenção urbanística que respondia a estas novas indicações do Rei na Vila Nova da Oliveira, ainda intramuros entre Escadinhas do Duque e Largo do Carmo (Rua da Oliveira).

O centro da cidade desloca-se do castelo para a actual área do Terreiro do Paço

 Vila Nova de Andrade 1513

Gedelha Palançano um dos judeus mais abastados à época (sec. XV) possuia 2 quintas a poente das portas de Santa Catarina (actual Chiado), para norte da Rua de Santos - Herdade de Santa Catarina, para sul da Rua de Santos a Herdade da Boavista.

Após ter falecido a viuva afora as herdades a Filipe Gonçalves, porem após convulções entre catololicos e judeus vende as proprieadades directamente a Luis Autouguia que em 1513 renegoceia para Bartolomeu de Andrade (casado com a filha de Filipe Gonçalves, Francisca Cordovil), por sua vez subafora os talhões da denominada então Vila Nova de Andrade.

A extensão dos terrenos juntamente com as recomendações de D. Manuel e a já existente divisão das propriedades em talhões e hortas (de 13,5m por 6,75m) originou a malha ortogonal existente, em que as ruas principais são ortogonais ao rio e as travessas de menos largura são paralelas. Ainda hoje o nome das ruas (salvo algumas alterações do sec. XIX) mantêm a sua origem rural.

O seu desenvolvimento inicial foi fundamentalmente entre o rio e a Rua de Santos, em 1528 a Vila Nova de Andrade contava com 408 habitantes e em 1551 com 869 habitantes.

 Os Jesuítas-Bairro Alto de São Roque 1553

Em 1553 com a instalação dos Jesuítas no convento de São Roque deu-se origem à segunda fase de urbanização para norte o chamado então Bairro Alto de São Roque.

O pragmatismo jesuíta estava em consonância com as preexistências maneiristas do bairro até então construído.

 Terramoto 1755

Marinheiros, artífices ao que se juntaram mercadores, capitães de carreira, clérigos burgueses ricos e aristocratas motivados pelas ruas largas que possibilitavam circular de coche ao contrario da maioria da restante Lisboa, existe inclusive o registo que em 1682 foi adaptado o postigo da Trindade (passagem na muralha fernandina) permitindo assim fazer circular os coches que se dirigiam ao Bairro. De forma impar foram construídos palácios que respeitaram os quarteirões tanto em dimensão como em altura.

1755 com o terramoto (apesar de não ser o único registado a par de deslizamentos de terras e incêndios) a parte a sul da então Vila Nova de Andrade fica severamente danificada sendo que todas as construções actuais são pombalinas ou posteriores, incluindo o largo Barão de Quintela (onde estão os bombeiros).

 Reconstrução Pombalina

O local onde actualmente se encontra o Largo Camões estava instalado o palácio dos Marvila que após terramoto ficou severamente danificado e foi alugado a famílias pobres. A norte da Rua de Santos de uma forma geral as construções devido às paredes grossas e baixa altura resistiram ao cataclismo se bem que com muitas modificações pombalinas, em que alguns casos é difícil afirmar se foi uma reestruturação profunda ou um novo edifício provando as fortes relações de convivência entre os estilos pombalino e maneirista.

Após a reconstrução pombalina o bairro tinha-se tornado isolado devido à abertura de largas vias que o rodeavam, as classes abastadas tornaram esta zona "fora de moda" quando construíam os seus palácios em locais mais distantes, ficando submetido à sua condição popular porem de crescente centralidade.

 A marginalidade artística 1840

A renovação do actual Principie Real, limpeza e terraplanagem da antiga mãe de água, ao gosto romântico de D. Pedro V em 1840, acentuava um grupo de construções que se faziam de costas voltadas para a malha urbana do Bairro Alto, criando uma forte descontinuidade entre interior e exterior.

Estas características provaram ser bom ambiente para o desenvolvimento de um clima artístico e de uma certa marginalidade. Bocage, Luisa Todi, Almeida Garrett (na ZDB).

Os jornais que proliferam no sec. XIX, a sua grande maioria estava no bairro, a azafama de jornalistas, informadores, tipógrafos, livreiros, políticos, em que na noite não se podia perder tempo para na manha seguinte as noticias mais importantes circularem pela cidade. Proliferam assim tascas nas antigas cocheiras, casas de pasto e prostituição.

Por volta de 1950 foi desenvolvido um plano liderado pelo arquitecto Cristino Silva em que estava contemplada a destruição do Bairro Alto como o conhecemos, abriam-se vias largas e praças seriam feitas, felizmente não teve seguimento.


Agradecimentos: Pedro Neves
Fonte: Bairro Alto, tipologias e Modos Arquitectónicos, Helder Carita, CML

 PUBLICIDADE










 PUBLICIDADE






Home
Night
Eat
Shops
Sleep
People
Blog
Chronicles
Video
Photos
Agenda
Agenda - Week
Info
Chronicles
History
Instagram
About
Bairro das Artes