2 de Março de 2012

No Adamastor à noite



A Lua está em quarto minguante e lindíssima. Alumia levemente os rasgos de nuvens que se passeiam aos seus pés e surpreendeu-me, no início da Calçada do Combro, quando me voltei de repente, para procurar qualquer coisa dentro da mala.
 
À noite, é mais difícil passear na cidade e estar-me nas tintas para toda a gente. São poucos os que deambulam sozinhos, como eu. De dia, somos mais. Mas de noite estão todos agrupados em pequenos molhos e conversam animadamente. E riem.
 
Riem. Hoje fez-me falta o riso, vincou-me de dor na sua ausência. Ao descer para o Chiado, forcei o sorriso no rosto e logo senti a sua falsidade. Sinto-a menos agora. Desvaneceu-a o ver dançar, ver Lisboa, ver o Tejo, a ponte, com o seu «colar de pérolas ao pescoço da noite»­, a Lua... A Lua que já não se vê, põe-se cedo quando está em quarto minguante.
 
Arrefece o corpo, falha a tinta na caneta. Já não sinto nas mãos o calor do creme de cogumelos do Quiosque do Resfreco, mas a empada de galinha dentro da mala faz-me adivinhar um prazer desejado...
 
A Lua, afinal, ainda não se pôs. Por momentos, voltou a ver-se, para depois ganhar novamente vergonha atrás das nuvens.
 
1 in Amor dos Babuínos, de Miguel Cardoso Pereira





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