28 de Janeiro de 2012

No Adamastor



O prado é meu. A cabeça quente do sol, o corpo molhado do suor da relva, os pés ferventes sob o céu que ameaça o Outono. Um jovem casal francês, uma criança pequena e um bebé num carrinho. A mãe lê histórias perante as intermináveis perguntas da rapariguinha. O pai admira os milhares de diamantes que enfeitam o Tejo. Ouço o obturador de uma câmara fotográfica à minha esquerda. Ante tanta beleza, decerto não serei eu o objecto da fotografia.
 
Pai e filha brincam à apanhada.
 
Dois rapazes morenos sonham com o rio. Um, sentado, fuma um cigarro de pensamentos e desilusões. O outro, de pé (ouço um isqueiro atrás de mim), desapareceu já da minha vista (se calhar é de quem fuma aqui atrás).
Deveria ir embora, não quero apanhar um escaldão nos pés.
E agora, ninguém à frente. O prado já não é só meu, mas agora tenho o rio.
 
Cheira a gasolina (e novamente o isqueiro).
Cheira a fruta podre.
 
Mas o Tejo... parece feito de mil diamantes. Um cacilheiro aborda a outra margem. Aposto que, lá dentro, ninguém sequer repara. Os pombos arrulham.
Vejo o rio por entre as pedras e os telhados e as antenas de televisão.
Alunos de fotografia procuram pérolas na paisagem.
Porque sou sempre obrigada a fumar os cigarros dos outros?





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