27 de Dezembro de 2011

Podia ter sido assim



Vê-se que esteve a escovar o longo e ruivo cabelo. Dá agora um toque no batom e prepara-se para servir o último cliente do dia. Coelho-à-caçador, batatas e ervilhas.
Deixa a mala no balcão e segue pelo corredor em direcção ao seu último cliente do dia, aquele que parece não ter controlo sobre as mãos.
Aquele que a olha de soslaio e a segue pela sala.
Aquele que a irrita profundamente.
No caminho, passa por debaixo dessas luzes azuis que servem para electrocutar as moscas. No exacto momento em que está por debaixo dessa arma letal, cai uma redonda e verde mosca no fofo monte de ervilhas do coelho-à-caçador.
Os seus olhos, que seguiram o voo, iluminam-se e uma ruga surge no canto do lábio, desenhando o rascunho de um sorriso.
Pousa o prato na mesa e pede a mala que deixara em cima do balcão. A caminho da porta, vira-se para trás, atirando um beijo à colega que ficava. Nesse exacto momento, os seus olhos encontraram a primeira garfada do último cliente do dia: no meio das frescas e saborosas ervilhas verdes, uma redonda mosca do mesmo verde. Ao sair, o seu sorriso não é apenas um esquisso. É uma obra-prima.





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