3 de Novembro de 2013

UM BANCO NO LARGO DE CAMÕES



Em lugares caríssimos de primeiro balcão com vista para a Lua cheia que ilumina o escuro telhado do Hotel do Bairro Alto e o topo da Igreja da Nossa Senhora da Encarnação. Minutos de preciosidade antes da corrida para o acumular de estampidos no caminho para casa.
 
Esqueço-me de respirar na azáfama do pressionar de teclas que, com frio, se senta ao meu lado. Separa-nos o espaço de um corpo, mas sei que nenhuma meterá conversa. Ela espera outros.
 
Não, não vamos falar.
 
A não ser que...
 
Sorrio. Falso alarme.
 
Retalhos de nuvens atravessam o luar, perdem a forma, agrupam novos corpos no espaço do olhar, levam tudo para depois desaparecerem no azul que se adivinha do céu. O banco sob as pernas estremece à passagem do eléctrico.
 
A minha vizinha enrola um cigarro na paciência vã de quem aguarda alguém que é certo.
 
– Importa-se que eu fume?
 
– Não, não, eu também já estou de saída.
 
Sorrio de novo. É que estou mesmo, espero não ter de correr para o comboio.
 
– Mas obrigada por ter perguntado – tenho ainda tempo de dizer, no virar de costas.
 
Afasto-me satisfeita no olhar de reconhecimento que me recebe. A perna continua traçada debaixo da saia escocesa. Olhar expectante de conversas nocturnas, fios de cenoura sobre olhos que acredito verdes.
 
O cigarro descansa paciente entre os dedos.
 
Afinal, sempre falámos.





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