23 de Outubro de 2012

Lindo Serviço



“Quem não vive para servir, não serve para viver!” - Dizia um antigo colega meu do bar. Infelizmente a sua credibilidade para nos iluminar com estas pérolas de sageza foi se desvanescendo na proporção directa do consumo das substâncias psicotrópicas em que se tornou cada vez mais dependente, e na respectiva espiral descendente de mentiras, esvaziamento moral e pequenos desfalques, cada vez menos pequenos, da caixa.
Mas como todas as máximas da vida que encaixam perfeitamente no limite de caracteres de um post nas redes sociais, o complicado desta não é o seu enunciado, mas a sua concretização. O serviço não deveria ser um combate, em que alguém que acha que tem muito mais que fazer do que estar atrás de um balcão, esgrime as suas inseguranças e frustrações e exerce o seu pequeno poder para proporcionar a mais desagradável experiência possível a quem tem a ousadia de entrar no seu estabelecimento. Ao cordial e cavalheiresco “Can I help you?” ou “What can I do for you?” com que os anglo-saxónicos iniciam a dupla implicação que é o acto de servir e ser servido, muitos empregados de mesa lusitanos preferem um económico e lacónico “Diga.” e uma mirada de desprezo de alto a baixo. Cliente: “Bom dia.” - Empregado: “Diga!” É bonito? Não, de todo. É comum? Infelizmente, sim.
Mas no outro campo também temos adversários de peso! Pessoas cujos estudos, emprego, roupas de marca, ou dinheiro dos papás os levam a achar que pela frente têm um reles contratempo entre a sua chegada ao bar e a bebida estar na sua mão. E aos contratempos não se dá simpatia, confiança e muito menos respeito. Pede-se, aliás, ordena-se, exige-se o que está em falta, de preferência sem olhar sequer nos olhos. Empregado: “Bom dia!” - Cliente: “Johnny Walker. Duas Pedras.” Igualmente triste, igualmente comum.
Como é que se muda isso? Profissionalismo? Sim, claro. “Eu se quisesse podia estar a fazer outra coisa sem ser servir copos!” Então porque raio é que não estás?
Educação? Também. E por “Educação” não me refiro ao berço onde se nasceu. “Você sabe quem eu sou?” Não, mas também perdi qualquer vontade de saber. 
Mas sobretudo com uma consciência de que estamos TODOS juntos nesta nau cósmica, e que estamos todos interligados nesta coisa maravilhosamente linda e tristemente breve chamada vida.
Quem não vive para servir não serve para viver? Serve... mas perdeu algo de importante no caminho.





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