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4 de Fevereiro de 2012

Hugo Canoilas na Quadrado Azul



A exposição intitulada “Palavras ditas, paredes brancas” da autoria de Hugo Canoilas consiste num conjunto de pinturas instaladas numa estrutura especificamente pensada para o local, libertando as paredes e desobedecendo à imposição da arquitectura do espaço.
Os textos bem como as pinturas que se descobrem sob estas são de natureza variada sendo a utilização do texto sobre a pintura o factor aglutinador do todo. O texto sobre as pinturas é uma ideia forte que consegue absorver um conjunto de diferenças, neste caso, evoluções no tipo de pintura e texto. As primeiras pinturas são mais formais e os textos mais auto reflexivos e as últimas pinturas são informes e os textos existencialistas e poéticos.
O texto é para HC o tempo do quadro. O tempo de leitura do texto é o tempo dispensado em frente da pintura. O texto não contém o significado da obra mas resgata a vontade, racional, daquele que vê, de compreender. Por outro lado , a pintura que jaz sob o texto comunica de forma passiva com o espectador, numa aproximação do corpo - daquele que vê, ao corpo-pintura.
A utilização do texto sobre as pinturas evoca dois campos distintos da história de arte que aqui convergem mas que historicamente teimam em se manter separados: a arte conceptual e o psicadelismo.1 A evocação da arte conceptual não é uma asserção purista. Os textos não são objectivos nem pretendem constituir-se como obra (ou substituição desta). Os textos são uma resolução da pintura segundo dentro de um conjunto de valores que toma uma tela como já pintura (pós-Malevich) ou até uma pintura como resultante de um caos (o diagrama de Deleuze2) onde todas as pinturas mas também o mundo estão presentes na cabeça do pintor antes de começar a pintar.
A pintura a fazer, sobre esta já pintura ou sobre todas as pinturas e acontecimentos – que se desmultiplicam de forma vertiginosa, é nesse sentido conceptual porque o texto resolve a pintura. A escolha do texto determina que a pintura está terminada - com este gesto que reproduz um texto escrito ou trecho copiado de um livro, que na sua condição de pintura de sinais (letras) já não pode ser vista, depois de 60 como a suspensão da actividade de pintar, embora reclame uma força nihilista em relação ao academicismo vigente.
O psicadelismo aqui evocado é também um problema evocado da pintura feita sobre este caos enunciado no sentido em que é também uma resposta do corpo3. A vocação psicadélica é proposta nestas pinturas para a necessidade um corpo ultra sensível, que vê sem querer ver, que comunica passivamente com as pinturas debaixo do texto, de uma forma geral mas de forma mais acertada nas pinturas fluídas e informes. As qualidades evocativas do psicadelismo aparecem sobretudo na incapacidade de encontrar uma unidade entre texto e pintura, aqui mais próximas do proto psicadelismo de Jackson Pollock4. Neste sentido este grupo de pinturas carregam consigo uma posição contra o racionalismo, que ecoam também uma posição ética e política numa simbiose entre HC e as suas obras.







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